sexta-feira, 12 de maio de 2017

Mais um "Golpe" Consumidor/ Mercado

Com a alta não há demanda, e não só o consumidor perde.

Comprar a prazo em época de juros altos fica mais caro para consumidor
Custo total das operações de crédito de longo prazo é desvantagem e reduz poder de compra.
Em tempos de dificuldade financeira, recorrer a empréstimos, compras parceladas, cartão de crédito e cheque especial pode ser uma saída para aquela compra emergencial, mas o consumidor vai pagar muito caro com a alta dos juros.
É preciso estar atento ao chamado Custo Efetivo Total (CET) dessas operações e o quanto se pode economizar ao optar por parcelas mais curtas ou até mesmo pagando à vista. Em alguns casos, um empréstimo de R$ 5 mil se torna uma dívida de R$ 7,3 mil após aplicação do CET, dependendo do prazo do pagamento.
É comum as lojas anunciarem parcelamentos extensos com taxa zero de juros, fazendo com que o consumidor não considere o CET na conta final, que é a taxa correspondente a todos os encargos e despesas incidentes nas operações de crédito, incluindo, além dos juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas.
O percentual varia de acordo com as operações, mas as instituições financeiras chegam a aplicar taxas anuais de CET que ultrapassam a margem de 300% ao ano, principalmente nas transações com cheque especial e cartão de crédito.
Para se ter uma ideia, uma pessoa com dívida de R$ 2 mil em fatura com cartão de crédito, ao parcelar em seis vezes, vai pagar ao final do período um total de R$ 2.219,86, sendo R$ 219,86 apenas juros. A simulação leva em conta uma taxa mensal de juros de 4,34% e de 66,47% ao ano, praticada pelo Bradesco (conforme dados disponíveis no Banco Central-BC).
A diferença é ainda maior quando se trata de um empréstimo pessoal. Com CET de 111,51% ao ano e juros de 6,44% ao mês, de acordo com a última média divulgada pelo BC (maio de 2015), um empréstimo de R$ 5 mil para se pagar com parcelas fixas irá custar R$ 7.330,20 em um financiamento de 12 meses.
Ao trocar o financiamento pelo hábito poupar para depois comprar à vista, o consumidor com o dinheiro em mãos, além de não pagar os encargos financeiros do crédito, poderá pechinchar descontos que variam, em média, de 3% até 5% no comércio, especialmente para bens duráveis de maior valor, como televisores, geladeiras, fogões e máquinas de lavar.
Em algumas ocasiões, optar por comprar um produto à vista pode resultar em uma economia de 10%. Em uma simulação de uma gigante do varejo nacional, uma geladeira/refrigerador da marca Brastemp parcelada em 12 vezes no cartão custa R$4.306,74, mas, o mesmo produto, pago de uma só vez, tem o preço reduzido para R$ 3.868,71, uma economia de R$ 438,03.
Emoção deve ser banida, diz Corecon.
Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Marcus Evangelista, há um problema cultural com o consumidor, que é ‘se deixar levar pela emoção’ da compra, fazendo com que muitas vezes ele não coloque na ponta do lápis o custo real de determinada aquisição.
“Todo empresário utiliza de artifícios (para vender), principalmente na questão do parcelamento. Não existe parcelamento sem juros. Se derruba isso muito fácil, ao chegar a uma loja e oferecer para pagar à vista. O lojista certamente vai te dar, no mínimo, uns 5% de desconto. Na verdade, o consumidor, para se livrar desse custo, deveria sempre comprar à vista”, disse Evangelista.
Para o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, a alta da taxa Selic e, por consequência, o alto custo do dinheiro, aumenta a inadimplência e negativa o consumidor, inibe as compras e causa a queda nas vendas.
Autor original: Henrique Saunier - DIÁRIO do Amazonas / portal@d24am.com


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